Duda MenezesDuda MenezesUm livro para cada país que já ganhou a Copa do mundoDos gramados às páginas: oito países campeões, oito grandes leiturasPor 18/06/26 às 11H20 atualizado em 18/06/26 às 11H20Reportar ErroFoto: Duda Menezes Em quase 100 anos de Copa (a primeira edição foi em 1930 no Uruguai), apenas 8 países se consagraram campeões mundiais. Espalhados pela América do Sul e Europa, eles arrasam não apenas no futebol, mas também na literatura. Entre clássicos e contemporâneos, salva as dicas a seguir e já prepara o coração para torcer pelos personagens.

A-A+Duda MenezesDuda MenezesUm livro para cada país que já ganhou a Copa do mundoDos gramados às páginas: oito países campeões, oito grandes leiturasPor 18/06/26 às 11H20 atualizado em 18/06/26 às 11H20Reportar ErroFoto: Duda Menezes Em quase 100 anos de Copa (a primeira edição foi em 1930 no Uruguai), apenas 8 países se consagraram campeões mundiais. Espalhados pela América do Sul e Europa, eles arrasam não apenas no futebol, mas também na literatura. Entre clássicos e contemporâneos, salva as dicas a seguir e já prepara o coração para torcer pelos personagens. Espanha (Campeão / 2010) Falar da Espanha é pensar em Carlos Ruiz Zafón, mas hoje eu vou indicar Pátria (2016), de Fernando Aramburu (1959-), uma ficção histórica emocionante sobre família, amizade e polarização política. A obra retrata como pano de fundo o movimento separatista do País Basco e brilha com sua narrativa envolvente, dramas e personagens bem construídos. Inglaterra (Campeão / 1966) As irmãs Brontë marcaram para sempre a literatura inglesa e uma joia pouco comentada é o livro A senhora de Wildfell Hall (1848), da menos famosa, mas igualmente talentosa, Anne Brontë (1820-1849). O livro é uma crítica ao sistema patriarcal e machista da Inglaterra no século XIX, que submetia mulheres e esposas a abusos sem fim. A autora traz uma protagonista que vai além das convenções sociais vigentes numa narrativa que ecoa problemáticas bastante atuais. França (Bicampeão / 1998 e 2018) Talvez o mais conhecido e comentado de todos? Sim. Mas pensar em literatura francesa é falar em O conde de Monte Cristo (1844-1846), de Alexandre Dumas (1802-1870). Você provavelmente já conhece a história, mas saiba que a jornada literária de sofrimento, volta por cima e vingança de Edmond Dantès é nada menos que ÉPICA. Algumas das melhores páginas que a literatura já produziu. Uruguai (Bicampeão / 1930 e 1950) Conhecido como uma das vozes mais expressivas do Uruguai, Mario Benedetti (1920-2009) deixou uma vasta obra literária e A trégua (1960) e Primavera num espelho partido (1982) são alguns de seus livros mais comentados. O primeiro sobre a jornada de um viúvo ao tentar encontrar sentido na vida e o segundo sobre as consequências da ditadura na vida de uma família. Argentina (Tricampeão / 1978, 1986 e 2022) Entre clássicos como Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares ou autores contemporâneos incríveis como Mariana Enríquez, há muito a ser citado, mas fugindo do óbvio e indo para o mundo das graphic novels, O Eternauta (1957-1959), de Héctor Germán Oesterheld (1919-1977) e Francisco Solano López (1928-2011) tem uma força única no universo da ficção científica especialmente quando pensamos no momento em que a obra foi escrita e passamos a enxergá-la também pelo viés político. O autor desapareceu e foi morto durante a ditadura Argentina. Itália (Tetracampeão / 1934, 1938, 1982 e 2006) Uma preciosidade pouco comentada e que vale muito seu tempo são os livros de Natalia Ginzburg (1916-1991). Com uma narrativa única, a vida da autora foi marcada pela luta antifascista, tópico presente em seus livros, com destaque para Léxico familiar (1966), a jornada de uma família judia italiana durante a ascensão do fascismo na Europa, um retrato da vida da própria autora. "Neste livro, lugares, fatos e pessoas são reais. Não inventei nada", declarou. Alemanha (Tetracampeão / 1954, 1974, 1990 e 2014) Retrato único das consequências da Segunda Guerra Mundial na vida dos alemães, em O leitor (1995), de Bernhard Schlink (1944-), o autor aborda o pós guerra pela perspectiva da nova geração que precisou lidar com o impacto do que seus pais e adultos fizeram. O livro aborda o relacionamento de um jovem com uma mulher mais velha e o poder da literatura e escrita em transformar a vida das pessoas. BRASIL (Pentacampeão / 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) Começando pelo óbvio, se você não leu Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) na escola (como eu, que só li anos depois) ou não leu até hoje, sem sentir vergonha em admitir, ok? Partiu leitura! Acredite, vale a pena! Mas queria destacar uma joia brasileira, nordestina e paraibana pouco comentada: Pedra Bonita (1938), de José Lins do Rego (1901-1957). Crendices locais se mesclam ao cangaço numa narrativa sensível, lindíssima. Primeiro volume do ciclo do Cangaço, forma uma duologia seguida por Cangaceiros. Dupla de peso. Reportar ErroVeja também