O luxo brasileiro do Fasano está a internacionalizar-se para a Europa. Londres, primeiro. Depois, Itália, claro, na Sardenha vem a seguir Milão, que é um regresso a casa, porque foi dali que Vittorio Fasano partiu, em 1902, para o Brasil, para São Paulo, onde tudo começou. Portugal está nesta rota, com um projeto que engloba hotelaria e branded residence, na Quinta da Marinha, em Cascais. O investimento será superior a 200 milhões de euros, feito pela Fortitude Capital, atualmente uma das principais gestoras de capital de risco portuguesas, e o brasileiro BTG Pactual, o maior banco de investimento da América Latina. A operação está a cargo do Grupo JHSF, por via da marca Fasano, obviamente. “Esta combinação é o cerne do interesse estratégico”, afirma ao Jornal Económico António Esteves, CEO da Fortitude Capital. “Não se trata apenas de deter um ativo, mas de capturar valor recorrente associado à operação de uma marca premium com reconhecimento global, a marca Fasano”. António Esteves sublinha que este projeto representa uma “aposta estratégica e única” no setor de hospitality de luxo em Portugal, que hoje é um dos mercados europeus mais procurados por clientes internacionais de elevado rendimento. Localizado na Quinta da Marinha, sobre a costa atlântica e a 20 minutos de Lisboa, o Fasano Cascais ocupará as instalações do antigo hotel de cinco estrelas The Oitavos. O projeto prevê cerca de 90 unidades hoteleiras e 40 branded residences — residências da marca Fasano cujos proprietários vão poder ter acesso aos mesmos serviços de quem está hospedado no hotel. Estas casas podem também ser cedidas ao hotel para exploração. As obras de renovação do edifício arrancaram em 2025 e a inauguração prevista para o último trimestre de 2028. O projeto arquitetónico é assinado por Miguel Saraiva, do ateliê Saraiva + Associados. Está focado na integração entre a construção e o entorno natural. Prevê restaurantes, o bar Baretto e áreas de lazer ligadas aos empreendimentos do grupo Fasano. Os interiores estão a carga da brasileira Carolina Proto. Seguem a linha adotada em outros empreendimentos ligados à marca, como o Fasano Tennis Club e as residências Cidade Jardim, ambos em São Paulo, e a Locanda, no Fasano Las Piedras, no Uruguai.
Aposta no luxo “O The Oitavos integra-se num portefólio diversificado que vai bastante além do setor de hospitality, seguindo uma lógica de special situations e agnóstica”, diz António Esteves. Pela natureza e localização — uma das zonas mais valorizadas de Cascais, destino de eleição para europeus, americanos e brasileiros de elevado rendimento — o empreendimento dirige-se naturalmente a uma procura internacional, em linha com a internacionalização das marcas de hospitality de luxo. Um setor que a Fortitude vê como de oportunidades seletivas e de posicionamento de luxo. “Portugal consolidou-se como destino premium e os ativos mais atrativos são os que combinam localização única, rendimento recorrente e parceiros operacionais de classe mundial — exatamente o perfil do Fasano Cascais”, sublinha Esteves.
Fasano internacional O Fasano já é internacional. Desde 2010 que está em Punta del Este, no Uruguai. E em 2021 instala-se na seleta Quinta Avenida, frente ao Central Park, entre as ruas 62 e 63, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, já em parceria com a JHSF. Para o próximo ano está prevista a inauguração do segundo hotel nos Estados Unidos, South Beach, Miami, na Florida. Terá 100 quartos e representa um investimento a rondar os 150 milhões de euros. E segue-se a Europa. Londres, no Reino Unido, uma unidade com 20 quartos marca a travessia do Atlântico. No ano seguinte, abrirá o Hotel Fasano Sardenha, com 60 quartos. E o Fasano Cascais. Depois, o grupo chegará a Milão, finalmente em casa.
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