A descontinuidade e a demora na publicação de novos editais são alvo de fortes críticas do setor audiovisual brasileiro, que aponta reflexos diretos na desestruturação da etapa de desenvolvimento e no enfraquecimento das produtoras independentes. Historicamente, as linhas voltadas para os núcleos criativos, como as antigas chamadas do Prodav, financiavam a manutenção da infraestrutura de produtoras independentes, permitindo a contratação de equipes fixas de roteiristas para criar carteiras de projetos, incluindo séries e longas-metragens, por um período de 1 a 2 anos.

Com a paralisação da linha nos últimos anos, críticos no setor apontam impactos divididos em três frentes principais. A primeira delas é a desmobilização de talentos e a precarização do trabalho, uma vez que a falta de fluxo de caixa garantido provoca a dissolução de equipes e o retorno de profissionais ao modelo intermitente de remuneração por projetos curtos.

Embora a Ancine e o Comitê Gestor do FSA tenham retomado as atividades de fomento, inclusive com planos de investimento que ultrapassam R$ 1,4 bilhão previstos para 2026, os agentes do mercado mantêm a pressão para que as linhas voltadas aos núcleos ganhem regularidade anual e menor entrave burocrático. O detalhamento prático da chamada anunciada depende da inserção oficial dos dados na plataforma de editais do fundo.