Iniciado na década de 1960, subgênero do rock praticado por bandas como Yes e Genesis tem como marca registrada sua complexidade musical
Iniciado na década de 1960, subgênero do rock praticado por bandas como Yes e Genesis tem como marca registrada sua complexidade musical
Pedro Hollanda (@phollanda21)
O rock progressivo se notabilizou por avançar os conceitos e percepções do rock. E estamos falando de um gênero que, ao longo de décadas, passou por uma série de mudanças, num processo de constante diálogo entre movimentos musicais.
Mas o que é, de fato, rock progressivo? A Rolling Stone Brasil preparou um guia sobre o movimento.
O pop não tem uma estética definida: esse tipo de música tenta alcançar o maior número de pessoas, logo, na grande parte das vezes, procura um denominador comum. Isso acarreta em canções de fácil assimilação, com melodias grudentas e doces.
No meio dos anos 1960, tais noções foram desafiadas por uma geração de artistas que atingiram sucesso sem precedentes:
A partir daí, vários artistas exploraram novos caminhos, especialmente uma nova geração de artistas de origem mais privilegiada, que eram jovens demais durante a explosão inicial do rock’n’roll nos Estados Unidos — ou simplesmente só tomaram conhecimento a partir dos Beatles. Surge, assim, o rock progressivo.
Um fator comum a essas pessoas é que elas tiveram acesso a ensino musical tradicional e sabiam tocar extremamente bem. No entanto, suas referências eram mais focadas em música clássica, folk ou jazz.
Em entrevista à Modern Drummer, Bill Bruford, que tocou com o Yes e o King Crimson, refletiu sobre a origem do gênero — especialmente quanto à tensão entre os adeptos ao rock progressivo e os tradicionalistas:
“Se você disser às pessoas que o rock é feito de três acordes, sempre haverá caras, especialmente no Reino Unido, que dirão: ‘E se a gente adicionasse um quarto acorde e colocasse em compasso 5/4?’ Essas pessoas caíram em algo chamado rock progressivo. Os caras da classe trabalhadora britânica que assumiam que o rock’n’roll era propriedade deles ficaram muito irritados com esses caras da escola de arte que trouxeram todos os parafusos do rock progressivo e adicionaram música clássica, harmonia vocal, poesia e arte.”
“O Black Sabbath e bandas assim ficaram muito chateados, e aí vieram os punks e destruíram tudo. Eu tive a sorte de crescer numa época em que tudo acontecia. Era incrível. As pessoas até se importavam com o que o baterista pensava!”
Os principais exemplos desse tipo de artistas eram Procol Harum, The Nice e The Moody Blues. A primeira banda listada emplacou no topo das paradas o single “A Whiter Shade of Pale”, uma música inspirada em Johann Sebastian Bach com letras sem sentido baseadas na obra do autor inglês Geoffrey Chaucer.
Por sua vez, The Nice — de onde vem o tecladista Keith Emerson — lançou um álbum chamado Ars Longa Vita Brevis (1968) que continha releituras de peças do compositor finlandês Jean Sibelius e uma suite erudita com instrumentação rock. The Moody Blues foi além, trabalhando com a London Festival Orchestra na gravação do disco conceitual Days of Future Past (1967), cheio de canções sinfônicas originais.
Outro elemento importante de apontar no rock progressivo foram as inovações tecnológicas. Em entrevista à Modern Drummer, Bill Bruford explicou como avanços em gravação estereofônica, assim como sintetizadores, ampliaram as possibilidades para músicos:
“Antes do rock progressivo, houve o surgimento do álbum estereofônico, onde você podia gravar um lado inteiro de música por vinte minutos. Isso precisava estar disponível para o prog acontecer. Valores de produção em estéreo, técnicas de gravação de 24 faixas, edição de fita: tudo isso virou a regra do dia a dia. Todos os teclados e sintetizadores novos também – foi uma mudança tecnológica enorme. E a música estava implorando para usar tudo isso.”
Entretanto, apesar de haver elementos reconhecíveis o suficiente para descrever Procol Harum, The Nice, The Moody Blues ou até mesmo o Pink Floyd como rock progressivo, nenhum deles se encaixava perfeitamente sob o termo naquela ocasião. Eram pioneiros, mas a forma se solidificou depois, na década de 1970, a partir da base estabelecida — entenda a partir do guia de bandas abaixo.
Outro fator importante de apontar sobre progressivo é: foi o primeiro subgênero de rock com bandas fora do eixo Estados Unidos-Reino Unido a atingir fama mundial. Seja os neerlandeses do Focus, os franceses do Magma ou a cena krautrock alemã, grupos europeus ganharam evidência em parte por causa dos esforços de gravadoras independentes britânicas dispostas a apostar na possibilidade comercial de artistas do estilo, seja lá de onde fossem.
Quando a maior parte do público pensa em rock progressivo, a imagem que vem é a do Yes. O conjunto é talvez o ideal platônico do movimento.
Formado em Londres, o Yes começou na cena psicodélica da cidade, mas não era considerado um nome promissor. Os integrantes precisaram ver seus contemporâneos mostrarem o alto nível de competição para levar o trabalho a sério e se empenhar.
Outro fator contribuinte para a evolução do Yes como banda foi a entrada de vários nomes chave, como o guitarrista Steve Howe, o baterista Bill Bruford e o tecladista Rick Wakeman. Estes três foram responsáveis por injetar um elemento de virtuosismo instrumental que veio a marcar o som do grupo.



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